A Síndrome do “Bandido de Estimação”: A seletividade moral na política brasileira
Geralmente, dedico meus artigos a debater questões locais, mas há momentos em que a conjuntura nacional exige uma reflexão mais profunda. Recentemente, os Estados Unidos da América passaram a classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O peso dessa decisão internacional contrastou, de forma estarrecedora, com a postura do nosso próprio presidente da República, que em suas narrativas demonstrou uma leniência quase afetuosa, chegando a tratar transgressores sob a ótica de “nossos terroristas”.
Diante desse fato, e dessa ligação quase emocional do chefe do Executivo com a criminalidade, fui levado a pensar sobre uma patologia social crônica: a assustadora facilidade com que o povo brasileiro defende criminosos, desde que eles estejam do “lado certo” da trincheira ideológica.
De um lado do espectro, temos o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Mesmo após o envolvimento comprovado de boa parte da cúpula partidária naqueles que figuram entre os maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, e quiçá do mundo, a sigla mantém um eleitorado cativo que beira os 25%. Para essa parcela da população, os fatos pouco importam; a idolatria cega a razão e absolve qualquer desvio ético.
Contudo, o fanatismo e a cegueira moral não são monopólios da esquerda. No lado diametralmente oposto, observamos mais ou menos o mesmo percentual de eleitores dispostos a perdoar os pecados de seus líderes. Vemos, por exemplo, um senador da República, com nítidas pretensões presidenciais, sendo flagrado em conversas íntimas e questionáveis com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo? Pedir cifras milionárias sob o pretexto de financiar um filme sobre a vida e a obra de seu pai, o ex-presidente.
O objetivo deste artigo não é colocar na balança a desfaçatez de um ou de outro para ver qual pesa mais. O que está em discussão é a perigosa capacidade que o brasileiro desenvolveu de normalizar o crime. A moralidade no Brasil tornou-se elástica e seletiva. A gravidade de um delito já não é medida pelo Código Penal ou pelo impacto na sociedade, mas sim pela cor da bandeira de quem o comete. Se o canalha veste a camisa do meu time, ele é vítima de perseguição; se veste a do adversário, é um criminoso que merece o rigor da lei.
Durante muito tempo, critiquei duramente as pessoas que cultivavam “políticos de estimação”. Parecia-me o ápice da imaturidade democrática. No entanto, a realidade atual me obriga a chegar a uma conclusão ainda mais sombria: descobri algo pior. Hoje, uma parcela significativa da sociedade passou a ter “bandidos de estimação”.
E o mais trágico de tudo não é apenas defendê-los nas rodas de conversa ou nas redes sociais. O mais trágico é que continuam votando neles… Deus nos livre!!!
Edson José de Souza
Engenheiro e empreendedor





