O Colapso da SMTT: Quando a Falta de Educação Encontra a Falta de Gestão em Blumenau
Recentemente, a Prefeitura de Blumenau tornou-se alvo de duras, e justas, críticas na Câmara de Vereadores, na imprensa e nas redes sociais. O motivo? A situação deplorável e crítica em que se encontram os veículos da Guarda Municipal de Trânsito, vinculada à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT). Segundo os dados que vieram a público, e que foram ratificados pelo próprio titular da pasta, cerca de 60% da frota está simplesmente fora de circulação, apodrecendo nas garagens à espera de manutenção.
Quem acompanha meus posicionamentos sabe que sou um crítico ferrenho dos serviços prestados pela SMTT e, muito particularmente, da postura de boa parte dos agentes responsáveis pela organização e fiscalização do nosso trânsito. Quem já foi abordado ou precisou de assistência nas ruas de Blumenau conhece bem o tipo de tratamento que, infelizmente, costuma ser dispensado aos contribuintes.
Faça um exercício simples: compare a abordagem de um Policial Rodoviário Militar de Santa Catarina ou de um Policial Rodoviário Federal com a de um agente de trânsito municipal de Blumenau. A diferença é gritante. Nas rodovias, a abordagem costuma ser educada, cordial e, acima de tudo, educativa. É a diferença entre você ser autuado e sair pensando “eu realmente fiz algo errado e preciso melhorar” e sair da abordagem pensando “que sujeito grosseiro e mal-educado”.
Com raras exceções, pois não se pode generalizar, há na corporação agentes muito bem-preparados, o que vemos nas ruas de Blumenau são agentes que, muitas vezes, desconhecem as próprias leis e regras de trânsito que deveriam aplicar, mas que se blindam sob o escudo da arrogância de quem se acha “a autoridade”. É evidente que nenhum servidor público deve ser desrespeitado no exercício de sua função. Todos merecem educação. Mas a recíproca é verdadeira, e o respeito deve começar no momento da abordagem.
Entretanto, e apesar de todos esses pesares, há um ponto inegociável: não se pode, de forma alguma, exigir excelência de uma equipe à qual não são oferecidas as mínimas condições de trabalho.
O fato de mais da metade das viaturas e motos estarem paradas por falta de um simples contrato de manutenção é o retrato do abandono. O mínimo que a Prefeitura Municipal, através da SMTT, tem o dever de oferecer a esses profissionais é treinamento contínuo, inclusive de relações humanas, uniformes decentes, equipamentos de proteção individual adequados ao tipo de trabalho e meios de deslocamento seguros para o perfeito cumprimento de sua missão.
Mais uma vez, o poder público falha miseravelmente. E que não venham com a velha e esfarrapada desculpa da “falta de dinheiro”. Se há algo que o Estado sabe fazer com maestria é pelar o contribuinte com impostos e taxas. O que falta, na verdade, é empenho, capacidade administrativa, profissionalismo e vontade política.
A população blumenauense está esgotada desse amadorismo. Nós queremos e exigimos mais. Em época de eleição, os palanques ficam cheios de candidatos prometendo mundos e fundos, usando belos lemas como “proteger e servir”. Mas, passadas as urnas, o que sobram são viaturas quebradas nas garagens e desculpas esfarrapadas nos microfones.
Não interessa quem votou em quem. Quem levou a maioria dos votos e ganhou as eleições assumiu a cadeira e, com ela, a obrigação de cumprir com o que se comprometeu. O contribuinte de Blumenau já fez a sua parte pagando a conta; agora, passou da hora da prefeitura e os seus titulares entregarem o que prometeram!!!
Edson José de Souza.
Engenheiro e empreendedor.





