Impasse na Barragem de José Boiteux coloca o Vale do Itajaí sob ameaça de novas cheias

A segurança contra enchentes no Vale do Itajaí está novamente em xeque. Indígenas da comunidade Laklãnõ/Xokleng retomaram a ocupação da área da Barragem de José Boiteux, bloqueando o tráfego de máquinas e impedindo vistorias não autorizadas. A maior estrutura de contenção de cheias da América Latina virou palco de uma disputa de poder direta entre a comunidade local e o Governo do Estado.

A nova mobilização ocorre após um desentendimento ríspido entre as lideranças indígenas e o governador Jorginho Mello durante uma inspeção recente nas obras de recuperação. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Jefferson Santos, do portal Mesorregional, a comunidade acusa o governo de invadir o território sem aviso prévio e de proferir ofensas verbais contra mulheres indígenas e líderes locais durante o episódio.

As reivindicações giram em torno de promessas de compensação social que se arrastam há décadas. O governo catarinense, por sua vez, afirma que o cronograma está mantido e que ampliou de 20 para 40 o número de moradias destinadas aos indígenas. No entanto, a falta de confiança mútua paralisa os trabalhos em uma estrutura que passou mais de 20 anos sem manutenção adequada por omissão do poder público.

Para Blumenau e as demais cidades da região, o impasse representa um risco constante. A barragem é peça-chave para evitar desastres naturais e prejuízos econômicos de grande escala que assolam periodicamente o comércio, a indústria e as residências do Vale. Enquanto as negociações locais travam em conflitos políticos, a população regional segue desprotegida diante da iminência de novas chuvas.

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