Produção Industrial de Santa Catarina Recua 1,7% no Primeiro Semestre de 2026

A produção industrial de Santa Catarina registrou um recuo de 1,7% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este desempenho ficou abaixo da média nacional, que apresentou um crescimento de 0,4%, conforme dados divulgados pela FIESC e reportados por Fernando Krieger para o Informe Blumenau.

O resultado reflete um primeiro trimestre fraco, seguido por uma recuperação desigual no segundo trimestre que não foi suficiente para compensar as perdas iniciais. O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, avalia que o cenário exige atenção, destacando que, apesar da reação no segundo trimestre, a produção industrial catarinense permanece em queda devido a um ambiente macroeconômico adverso.

Setores como a fabricação de móveis sofreram o maior impacto, com uma queda de 16,7%, pressionados pelo segundo tarifaço norte-americano e pelo crédito caro no mercado interno. A fabricação de produtos de madeira também recuou 6,5% devido às taxas de exportação para os Estados Unidos, enquanto a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 12,8% por restrições de crédito a bens duráveis. O economista-chefe da FIESC, Pablo Bitencourt, acrescenta que a queda em produtos de metal (-9,8%) reflete a contenção de investimentos em projetos industriais, infraestrutura e construção civil.

Em contraste, alguns segmentos apresentaram crescimento, como a fabricação de produtos de borracha e material plástico, que liderou com alta de 10,4%. Os setores de produtos alimentícios (3%), minerais não metálicos (2,2%), metalurgia (1,9%) e produtos químicos (1,3%) também registraram avanço. Segundo Bittencourt, o crescimento em borracha e plástico está ligado à antecipação da produção e recomposição de estoques devido a incertezas no mercado de petróleo e ao conflito no Irã, enquanto o setor de alimentos manteve-se firme pela demanda interna e externa.

Embora junho de 2026 tenha mostrado um avanço de 1,9% na produção industrial do estado em relação ao mesmo mês de 2025, com destaque para borracha e plástico (15,4%) e alimentos (9,5%), o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, ressalta que os números consolidados do semestre revelam um quadro mais desafiador do que o previsto. A retomada foi afetada por juros elevados e crédito restrito no cenário doméstico, além dos choques externos do tarifaço norte-americano e do conflito no Oriente Médio, que elevaram os custos de matérias-primas e energia.

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