Jô Farias, produtora e apresentadora da CBN Blumenau e criadora do podcast EntreElas, construiu sua trajetória na comunicação a partir de uma oportunidade que surgiu de maneira simples e inesperada.
Algumas histórias profissionais começam com um grande plano. A de Jô começou dentro de um elevador — em uma conversa casual que acabou abrindo as portas para o rádio e dando início a uma carreira marcada pela comunicação, pela proximidade com o público e por uma voz que se tornou sua identidade profissional.
A comunicação sempre fez parte da vida da radialista, que descobriu no rádio uma forma de transformar uma característica natural de sua personalidade em profissão e propósito. O encontro casual com Joel Fisher, operador de áudio que hoje trabalha com ela, acabou levando a uma oportunidade que mudaria sua trajetória.
Desde então, Jô construiu sua identidade atrás do microfone e conquistou o reconhecimento do público. Sua voz, frequentemente apontada como uma das mais marcantes e bonitas de Blumenau, tornou-se uma espécie de assinatura profissional.
Ao longo da carreira, vieram também momentos importantes, como a indicação entre as cinco melhores apresentadoras de rádio de Santa Catarina pela ACAERT e a Comenda de Honra ao Mérito Feminino Celina Guimarães, em reconhecimento à sua atuação e protagonismo feminino no jornalismo local.
Agora, além do rádio, Jô amplia sua atuação com o podcast EntreElas, projeto que busca aprofundar conversas e dar espaço a histórias e temas que envolvem especialmente a vida das mulheres.
Nesta entrevista ao Site de Blumenau, Jô Farias fala sobre o início da carreira, a descoberta de sua voz, os desafios da comunicação, o futuro do rádio, os reconhecimentos que marcaram sua trajetória e os sonhos que ainda pretende realizar. E, claro, conta como uma conversa aparentemente casual dentro de um elevador acabou abrindo uma das portas mais importantes de sua vida profissional.
1. O que despertou em você o interesse pelo rádio e o que fez você decidir seguir profissionalmente pelo caminho do radialismo?
Eu acho que o rádio me encontrou de uma maneira muito especial. A comunicação sempre esteve muito presente em mim. Sempre gostei de conversar, de ouvir pessoas, de contar histórias e de estar perto do público.
Mas a decisão de transformar isso em profissão aconteceu quando surgiu uma oportunidade que eu nem estava procurando. E foi justamente a partir dessa oportunidade que minha relação com o rádio começou a ganhar um novo significado.
Eu percebi que aquilo que fazia parte da minha personalidade — a comunicação — poderia também se transformar em uma profissão e em um propósito.
2. Você se lembra do momento em que percebeu que sua voz poderia se tornar uma ferramenta de trabalho e uma marca pessoal?
Essa história é muito especial para mim porque aconteceu de uma maneira completamente inesperada.
Um dia, dentro de um elevador, o Joel Fisher, que hoje trabalha comigo como operador de áudio, ouviu minha voz, elogiou e me perguntou se eu trabalhava com comunicação. Ele percebeu algo na minha voz e me falou sobre uma oportunidade na empresa.
Dois dias depois eu fui para uma entrevista e, pouco tempo depois, já estava no ar, comunicando para todo o Vale do Itajaí.
E nessa trajetória existe uma pessoa que foi fundamental: o Dr. Ross, diretor-presidente do Grupo RFC. Ele acreditou em mim, me descobriu e abriu essa porta.
É curioso pensar que uma conversa de poucos minutos dentro de um elevador acabou mudando a minha vida profissional.
Foi ali que eu comecei a entender que a voz poderia ser muito mais do que uma característica minha. Ela poderia ser uma ferramenta de trabalho, uma identidade e, com o tempo, uma marca pessoal.
3. Sua voz é frequentemente elogiada e considerada uma das vozes mais bonitas de Blumenau. Como você recebe esse reconhecimento e o que você mesma acha da sua voz?
Eu recebo com muito carinho e muita gratidão. Porque quando alguém elogia a sua voz, existe algo muito especial nesse reconhecimento.
Eu demorei para perceber a força que a minha voz tinha. Hoje eu gosto dela, mas gosto principalmente do que ela representa.
Ela carrega anos de trabalho, de aprendizado, de entrevistas, de notícias, de histórias e de encontros com pessoas.
E existe uma coisa muito bonita no rádio: muitas vezes o ouvinte não conhece você pessoalmente, mas reconhece você pela voz. A voz acaba se tornando uma assinatura.
4. Existe alguma técnica, cuidado ou hábito que você adotou ao longo da carreira para cuidar da voz e melhorar sua comunicação?
Com o tempo, a gente aprende que a voz exige cuidado e disciplina. Hidratação, descanso e atenção à respiração são importantes.
Mas acredito que uma das coisas que mais desenvolvi ao longo da carreira foi entender que comunicação não é simplesmente falar. É saber ouvir.
Também fui aprendendo a trabalhar ritmo, pausa, entonação e emoção. No rádio, às vezes uma pausa diz tanto quanto uma palavra.
E acho que a experiência nos ensina a encontrar a nossa própria maneira de comunicar. Não existe apenas uma voz bonita. Existe uma voz que consegue estabelecer conexão.
5. O rádio mudou bastante com a chegada das redes sociais, podcasts e novas plataformas. Na sua opinião, o que continua fazendo o rádio ser especial e próximo das pessoas?
A tecnologia mudou a forma como as pessoas consomem informação, mas não mudou a essência do rádio: a companhia.
O rádio entra no carro, na casa, no comércio, no trabalho. Ele acompanha a pessoa enquanto a vida está acontecendo.
E hoje temos redes sociais, podcasts, vídeos e tantas outras plataformas. Eu não vejo isso como uma ameaça ao rádio. Vejo como uma oportunidade de ampliar a conversa.
O rádio continua tendo uma característica muito forte: a proximidade. Existe uma intimidade entre quem está falando e quem está ouvindo que é difícil explicar.
6. Ao longo da sua trajetória, quais foram os reconhecimentos ou momentos que mais marcaram você?
São vários momentos que guardo com muito carinho.
Em poucos anos de CBN Blumenau, fui indicada pela ACAERT entre as cinco melhores apresentadoras de rádio de Santa Catarina e tive a honra de ser a única representante de Blumenau na categoria.
Para mim, isso foi muito importante. Não apenas pela indicação, mas por estar ali representando Blumenau entre profissionais de todo o Estado.
Também recebi a Comenda de Honra ao Mérito Feminino Celina Guimarães, em reconhecimento à minha atuação como uma voz de protagonismo feminino no jornalismo local.
Essa homenagem tem um significado muito especial para mim porque representa não apenas o trabalho diante do microfone, mas o espaço que nós, mulheres, conquistamos na comunicação e no jornalismo. Ser reconhecida por ocupar esse lugar, dar voz às pessoas, contar histórias e participar ativamente da vida da nossa comunidade é uma honra enorme.
São reconhecimentos diferentes, mas que têm algo em comum: mostram que o trabalho feito diariamente pode chegar às pessoas e produzir algum significado.
E isso ganha ainda mais importância porque minha trajetória no rádio ainda é relativamente recente. Em poucos anos, eu me vi ocupando espaços e recebendo reconhecimentos que jamais imaginei quando comecei.
São aqueles momentos em que você para e pensa: “Eu estou no caminho certo.”
7. Você também criou o podcast EntreElas. Como esse novo projeto surgiu e o que ele representa na sua trajetória profissional?
O EntreElas é um novo projeto e representa um novo capítulo na minha trajetória profissional.
No rádio, muitas vezes temos pouco tempo para desenvolver uma pauta. No podcast, conseguimos aprofundar conversas, ouvir histórias com mais calma e dar espaço para assuntos que precisam de tempo, sensibilidade e acolhimento.
O EntreElas nasceu justamente com essa proposta: criar um espaço de conversa, informação e reflexão, especialmente sobre temas que impactam a vida das mulheres.
Para mim, é também uma forma de ampliar aquilo que já faço atrás do microfone. É continuar usando a comunicação como ferramenta, mas experimentando um formato diferente e dando voz a histórias que precisam ser ouvidas.
É um projeto novo, mas que carrega muito daquilo que acredito profissionalmente: informação, diálogo, respeito e conexão com as pessoas.
8. Para quem sonha em trabalhar no rádio e seguir um caminho parecido com o seu, mas ainda não sabe por onde começar, qual seria o principal conselho que você daria?
Comece.
Não espere se sentir completamente preparado, porque talvez esse momento nunca chegue.
Estude, leia muito, escute rádio, observe os profissionais que você admira, treine e aprenda a escrever. E, principalmente, aprenda a ouvir.
Também diria para a pessoa não tentar ser uma cópia de ninguém. Você precisa descobrir a sua própria voz, o seu jeito de comunicar e a sua identidade.
E uma coisa que aprendi ao longo da minha caminhada: esteja preparado quando a oportunidade aparecer.
Porque oportunidades podem surgir nos lugares mais improváveis — até dentro de um elevador.
9. Depois de tudo o que você já viveu no rádio, qual é o seu próximo sonho profissional e o que ainda gostaria de realizar atrás do microfone?
Eu ainda tenho muitos sonhos. Quero continuar crescendo como comunicadora, conquistar novos espaços e desenvolver projetos autorais que tenham a minha identidade.
O EntreElas é parte desse novo momento. É um projeto que quero ver crescer, alcançar mais pessoas e se transformar em um espaço cada vez maior de informação, diálogo e reflexão.
Mas, acima de tudo, eu quero continuar contando histórias.
Porque hoje eu entendo que o rádio não me deu apenas uma profissão. Ele me deu uma voz. E, através dela, eu pude conhecer pessoas, ouvir histórias, levar informação e também deixar um pouco da minha própria história pelo caminho.
E quando eu penso em tudo isso, sempre volto àquela cena dentro do elevador.
Uma conversa simples. Uma pessoa que ouviu a minha voz. Uma oportunidade que apareceu quando eu menos esperava.
Talvez eu não soubesse naquele momento, mas aquela porta de elevador estava abrindo muito mais do que um caminho para outro andar. Estava abrindo o caminho da minha vida profissional.
Uma voz que ainda tem histórias para contar
A trajetória de Jô Farias mostra que algumas oportunidades surgem de onde menos se espera. O que começou com uma conversa casual em um elevador se transformou em uma carreira construída com comunicação, aprendizado e proximidade com o público.
Entre o rádio, as novas plataformas e projetos como o EntreElas, Jô segue ampliando sua atuação sem perder aquilo que considera essencial: ouvir pessoas, contar histórias e criar conexão.
Mais do que uma voz reconhecida pelos ouvintes de Blumenau e do Vale do Itajaí, ela construiu uma identidade própria diante do microfone. E, pelo que revela nesta conversa, ainda há muitos capítulos dessa história para serem contados.






Respostas de 2
Parabens Jo !
Belissimo trabalho!
Jô, lendo isso, preciso devolver a você todo o mérito. ❤️
Eu apenas tive a oportunidade de ouvir sua voz naquele elevador e perceber aquilo que talvez você ainda não tivesse enxergado com a mesma clareza: você já tinha dentro de si uma comunicadora nata.
Aquele encontro não criou a sua história. No máximo, abriu uma pequena porta. Quem atravessou, conquistou seu espaço e transformou talento em profissão foi você.
Eu fico muito feliz e honrado por ter feito parte daquele momento tão inesperado da sua trajetória. E, olhando para tudo o que você construiu desde então, fica ainda mais evidente que a sua voz nunca foi apenas uma voz bonita: ela sempre teve personalidade, presença e a capacidade de chegar às pessoas.
O mérito é todo seu, Jô. Eu só tive a sorte de estar naquele elevador no momento certo. E, sinceramente, que elevador abençoado aquele! 😂❤️
Tenho orgulho de ter sido uma pequena peça no começo dessa história e, mais ainda, de hoje poder acompanhar a mulher e profissional incrível que você se tornou.