Mais de duas décadas depois, as memórias de uma Realeza que ajudou a escrever a história da Oktoberfest

Mais de 20 anos se passaram desde a Oktoberfest de 2002, mas algumas lembranças continuam tão vivas quanto naquela época. Para quem teve a oportunidade de fazer parte da Realeza da festa, aqueles 17 dias foram muito mais do que uma sequência de compromissos, desfiles e eventos. Foram dias de emoção, descobertas, amizades e momentos que permaneceram na memória.

A história de Elis Marciane Hertel, uma das Realezas da Oktoberfest de 2002, começou ainda antes da conquista da faixa. O sonho já existia e ganhou força a partir da experiência de uma prima, que havia sido segunda princesa em 1994. Em 2001, Elis tentou pela primeira vez e terminou a disputa em quarto lugar. No ano seguinte, voltou a concorrer — desta vez entre 165 candidatas — e conquistou seu lugar na Realeza.

A emoção daquele momento permanece entre as lembranças mais marcantes. Ao ver as três finalistas serem chamadas à passarela, Elis conta que já não importava se seria escolhida como Rainha ou Princesa. A certeza de estar entre as três representantes da festa já era, por si só, a realização de um sonho.

A partir dali, começava uma experiência que iria muito além da coroa e da faixa. Vieram os desfiles, as entrevistas, os compromissos oficiais, as viagens e a responsabilidade de representar Blumenau dentro e fora dos pavilhões. Também vieram histórias que, com o passar dos anos, ganharam ainda mais significado — como a divertida corrida no aeroporto do Rio de Janeiro, quando as três Realezas embarcaram tão rapidamente que acabaram deixando toda a equipe da organização para trás.

Na entrevista ao Site de Blumenau, Elis revisita aquela época e fala sobre a emoção de representar a cidade, os desafios de uma rotina intensa, as mudanças da Oktoberfest ao longo das décadas e as tradições que considera importantes preservar.

Ela também relembra a abertura da festa, o desfile em um carro alegórico decorado com flores, o último dia da Oktoberfest de 2002 e a música alemã que marcou aquela despedida. Mais do que recordar uma festa, suas palavras revelam como uma experiência de apenas 17 dias pode permanecer presente por toda uma vida.

Para Elis, ser Realeza da Oktoberfest de 2002 significou viver um sonho que terminou há mais de duas décadas, mas que continua presente nas amizades, nas histórias e no orgulho de ter representado Blumenau.

É essa memória, construída entre a emoção de uma jovem que conquistava seu sonho e a perspectiva de quem hoje olha para aquela experiência com mais de 20 anos de distância, que ela compartilha nesta entrevista.

Entrevista

Site de Blumenau: Quando vocês olham para trás e lembram da Oktoberfest de 2002, qual é a primeira imagem ou lembrança que vem à cabeça?

 O momento em que são chamadas as 3 finalistas para a passarela. Naquele momento para mim, já não importava se eu fosse a rainha ou uma das princesas. As lágrimas não paravam de cair, a emoção de saber que eu já estava no trio da realeza 2002, depois de passar por uma seletiva com 165 candidatas.

Site de Blumenau: Fazer parte da realeza da Oktoberfest é algo que muitas meninas de Blumenau sonham. Como surgiu essa oportunidade para vocês? Vocês sempre tiveram vontade de participar?

Sempre tive esse sonho. Já tive uma prima que foi segunda princesa em 1994. Em 2001 eu concorri, ficando em 4° lugar, mas meu sonho não parou por aí, me inscrevi em 2002 e conquistei o título de 1ª Princesa.

Site de Blumenau: Como suas famílias e amigos reagiram quando vocês foram escolhidas para representar a festa?

Lembro que aluguei uma van para levar minha família e amigos, já que moramos na Vila Itoupava e o concurso fui aconteceu no Shopping Neumarkt. Minha mãe não quis ir, pois sempre disse que o coração dela não iria aguentar de emoção caso fosse eleita. Liguei para ela de um orelhão (chorando) claro de alegria, foi um momento inesquecível.

Site de Blumenau: Naquele momento, vocês tinham ideia da dimensão que aquela experiência teria na vida de vocês? Ou só perceberam isso depois?

Naquele momento, acredito que nenhuma de nós tinha plena dimensão do que aquela experiência representaria em nossas vidas. Estávamos vivendo a emoção de um sonho realizado, com a alegria e a responsabilidade de representar nossa cidade. Só com o passar dos anos fomos percebendo a verdadeira dimensão daquela conquista: os aprendizados, as amizades, as histórias e as memórias que permaneceram. Hoje, olhando para trás, vejo que não vencemos apenas um concurso em 2002; ganhamos uma experiência que se tornou parte da nossa história e que, tantos anos depois, ainda nos emociona e nos conecta.

Site de Blumenau: Durante o reinado, vocês viveram muitos momentos juntas. Existe alguma história dos bastidores que até hoje faz vocês rirem ou se emocionarem quando lembram?

Uma história que até hoje nos faz rir aconteceu na volta de uma viagem ao Rio de Janeiro. Chovia muito, os voos estavam atrasados e o aeroporto estava naquela correria. Quando finalmente anunciaram o nosso voo para Santa Catarina, as três saímos em disparada, com toda a energia e determinação que uma verdadeira Realeza poderia ter!

O detalhe é que embarcamos tão rápido que, quando percebemos, toda a equipe da organização tinha ficado para trás no aeroporto do Rio! 😂 Nós seguimos viagem tranquilamente e só fomos nos reencontrar com o restante da equipe no aeroporto de Navegantes.

Na época, foi um verdadeiro sufoco; hoje, é uma daquelas histórias que o tempo transformou em uma lembrança deliciosa. Afinal, além da coroa, o nosso reinado também rendeu boas histórias para contar!

Site de Blumenau: A rotina de uma realeza envolve muito mais do que estar nos pavilhões durante a Oktoberfest. Como era representar Blumenau em eventos, compromissos e encontros durante aquele período?

Ser Realeza naquela época era muito mais do que vestir uma faixa e uma coroa. Era assumir a responsabilidade de representar Blumenau com orgulho, simpatia e respeito, dentro e fora dos pavilhões. Vivíamos uma rotina intensa de eventos, compromissos oficiais, visitas, encontros e momentos de interação com a comunidade e com visitantes.

Cada compromisso nos ensinava algo novo: a importância de saber ouvir, conversar, acolher e transmitir a essência da nossa cidade. Havia cansaço, claro, mas a alegria de representar Blumenau fazia tudo valer a pena. Hoje, olhando para trás, percebo que aquele reinado não foi apenas uma experiência de visibilidade, mas uma grande oportunidade de crescimento, aprendizado e de criar memórias que permanecem até hoje.

Site de Blumenau: Qual foi o momento mais emocionante que vocês viveram durante a Oktoberfest de 2002?

Sem dúvida, um dos momentos mais emocionantes foi a abertura da Oktoberfest de 2002. Depois de toda a preparação, estar ali representando Blumenau oficialmente, diante de tantas pessoas, foi uma sensação difícil de colocar em palavras.

E o desfile teve um significado ainda mais especial. Estar no nosso carro alegórico, todo enfeitado de flores, usando pela primeira vez o nosso traje oficial, com a faixa e a coroa, foi uma experiência inesquecível. Ver as pessoas nas ruas, os olhares, os sorrisos e sentir o carinho do público nos fez compreender a grande responsabilidade e o orgulho de representar a nossa cidade.

Naquele momento, percebemos que não estávamos apenas participando de uma festa; estávamos vivendo um capítulo muito especial da nossa vida e da história de Blumenau. São imagens e sentimentos que o tempo passa, mas a emoção permanece.

Site de Blumenau: E houve algum momento difícil, inesperado ou que exigiu mais de vocês do que imaginavam?

Sim. Acho que um dos maiores desafios foi perceber, na prática, a intensidade daqueles 17 dias de festa. A gente imaginava que seria uma experiência maravilhosa, mas talvez não tivesse ideia de quanto seria exigente manter o ritmo durante tantos dias.

Além da participação na Oktoberfest, tínhamos os desfiles aos domingos pela manhã e, ao longo do dia, uma agenda cheia de entrevistas, eventos, visitas e compromissos oficiais. Era preciso estar sempre disposta, sorrindo e representando Blumenau da melhor maneira possível, mesmo quando o cansaço começava a aparecer.

Foi uma experiência que nos ensinou muito sobre responsabilidade, comprometimento e, principalmente, sobre trabalhar em equipe. No fim, o cansaço ficava pequeno diante da alegria de viver tudo aquilo. Hoje, são justamente esses dias intensos que fazem parte das lembranças mais especiais do nosso reinado.

Site de Blumenau: Já se passaram mais de 20 anos. Quando vocês comparam a Oktoberfest de 2002 com a festa que conhecemos hoje, quais são as principais diferenças que percebem?

Mais de 20 anos depois, percebemos que muita coisa mudou, mas o mais bonito é que a essência da Oktoberfest permanece. A cultura, a gastronomia, a música e a alegria de celebrar as nossas tradições continuam muito presentes e fazem com que a festa mantenha sua identidade.

Uma diferença que chama bastante a atenção é a presença cada vez maior de pessoas vestidas tipicamente, valorizando ainda mais a cultura e o espírito da Oktoberfest. Também houve a transformação dos antigos Pavilhões da PROEB para a atual Vila Germânica, com uma organização por setores que trouxe uma nova estrutura e experiência para o público.

E, claro, temos a tecnologia, que a cada ano traz novidades, contribuindo para mais segurança, organização, conforto e interação com o público. A festa evoluiu e se modernizou, mas conseguiu preservar aquilo que realmente importa: a tradição, a cultura e o orgulho de celebrar Blumenau. É bonito perceber que, depois de mais de duas décadas, a Oktoberfest continua se reinventando sem perder a sua essência.

Site de Blumenau: Existe alguma tradição daquela época que vocês gostariam que a Oktoberfest atual preservasse ou resgatasse?

Com certeza. Acredito que, por mais que a Oktoberfest evolua e se modernize, é fundamental preservar aquilo que dá identidade à nossa festa. Gostaríamos de ver sempre valorizadas as bandas regionais, que mantêm viva a tradição musical, e as músicas alemãs, que fazem parte da nossa história e criam uma atmosfera única.

Também seria muito especial resgatar os desfiles mais tradicionais, com maior presença das músicas alemãs e de elementos que representem as nossas raízes. E, principalmente, manter e fortalecer a participação dos Clubes de Caça e Tiro, que têm um papel importante na preservação da cultura e das tradições de Blumenau.

Modernizar é importante, mas preservar a essência é indispensável. Afinal, é justamente essa identidade que faz da Oktoberfest de Blumenau uma festa tão especial e reconhecida.

Site de Blumenau: Depois de tantos anos, vocês continuam mantendo contato? O que ficou daquela amizade construída durante o reinado?

No início o contato é mais intenso, pós término do reinado, com o passar dos anos cada uma segue sua história, mas sempre que aparece uma oportunidade de comentar uma foto nas redes sociais, ou até uma conversa breve se acontecer de um encontro presencial. Eu e a Luana temos mais contato, inclusive ano passado no reencontro das ex- realezas tivemos o prazer de desfilarmos juntas. Nossa Rainha Morgana estava com bebê no forninho.

Site de Blumenau: Se vocês pudessem voltar por alguns minutos para uma noite da Oktoberfest de 2002, qual momento escolheriam reviver?

O último dia, o término foi em um sábado, pois no domingo teria eleições, e a noite terminal com uma música linda em alemão Du ( Peter Maffay 1970).

Site de Blumenau: Morgana, Luana e Elis, cada uma de vocês viveu essa experiência de uma maneira particular. O que ser uma das Realezas da Oktoberfest deixou de mais importante na vida de vocês?

Ser uma das Realezas da Oktoberfest de 2002 deixou muito mais do que uma faixa, uma coroa ou um título. Deixou aprendizados, amizades, histórias e, principalmente, uma parte muito especial da nossa identidade.

Aquela experiência nos ensinou sobre responsabilidade, compromisso, respeito e sobre a importância de representar uma cidade e sua cultura com orgulho. Também nos proporcionou encontros e momentos que ficaram guardados para sempre na memória.

Depois de mais de 20 anos, percebo que o maior presente foi justamente tudo aquilo que permaneceu: o carinho das pessoas, as lembranças compartilhadas e a certeza de que fizemos parte de um capítulo muito bonito da história da Oktoberfest e de Blumenau.

E talvez o mais emocionante seja perceber que o tempo passou, mas a amizade, o carinho e a emoção daquela experiência continuam vivos.

Uma lembrança para as novas gerações

Site de Blumenau: Para as meninas que hoje sonham em fazer parte da realeza da Oktoberfest, que conselho vocês dariam? O que vocês gostariam que elas soubessem antes de viver essa experiência?

Eu diria para elas viverem essa experiência de coração aberto e aproveitarem cada segundo. Ser Realeza da Oktoberfest vai muito além de usar uma faixa e uma coroa: é assumir a responsabilidade de representar Blumenau, sua cultura e suas tradições.

Que estejam preparadas para uma rotina intensa, com muitos compromissos, entrevistas, eventos, desfiles e encontros, mas que nunca deixem o cansaço apagar o brilho de viver algo tão especial. Aproveitem as pessoas, as histórias, as amizades e cada oportunidade de levar um pouco da nossa cidade para quem nos visita.

E, principalmente, sejam autênticas. Não tentem apenas ocupar um lugar na Realeza; entendam o significado de representar uma história construída por muitas gerações. A coroa passa, o reinado termina, mas as experiências, os aprendizados e as memórias ficam para a vida inteira.

Se eu pudesse resumir em uma frase, diria: vivam intensamente, representem com orgulho e guardem cada momento no coração, porque um dia vocês vão olhar para trás e perceber o quanto essa experiência foi única.

Para encerrar

Site de Blumenau: Se vocês tivessem que definir a experiência de ser uma das Realezas da Oktoberfest de 2002 em uma única frase, qual seria?

“Ser Realeza da Oktoberfest de 2002 foi viver por 17 dias um sonho que durou muito mais de 20 anos: deixou em nós memórias, amizades e um orgulho eterno de ter representado Blumenau e sua história.”

Site de Blumenau: E, depois de mais de duas décadas, quando vocês ouvem a palavra “Oktoberfest”, o que ela significa para vocês?

Hoje, depois de mais de duas décadas, ouvir a palavra Oktoberfest é muito mais do que lembrar de uma festa. É sentir um pedaço da nossa história pulsar novamente.

É lembrar de 2002, dos 17 dias intensos, dos desfiles, do nosso carro alegórico todo enfeitado de flores, do traje oficial, das entrevistas, dos compromissos e, principalmente, das pessoas que dividiram esse sonho conosco.

A Oktoberfest significa memória, amizade, cultura, orgulho e pertencimento. É olhar para trás e perceber que aqueles dias passaram, mas a emoção de representar Blumenau ficou para sempre.

Hoje, quando escuto “Oktoberfest”, não penso apenas na Realeza que fomos. Penso na história que tivemos o privilégio de viver e na alegria de saber que, de alguma forma, fazemos parte da história dessa festa que continua encantando gerações.

A história de uma Oktoberfest não é feita apenas de grandes desfiles, música, chope e celebrações. Ela também é construída pelas pessoas que, em diferentes momentos, ajudaram a representar Blumenau e a manter viva a tradição da festa.

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Ao relembrar sua passagem como 1ª Princesa da Oktoberfest de 2002, [nome da entrevistada] revive uma época especial e compartilha memórias que ajudam a preservar parte da história das realezas da festa. São lembranças que atravessam o tempo e mostram que, por trás de cada coroa, faixa e desfile, existe uma experiência pessoal que permanece na memória.

A trajetória das realezas de diferentes gerações continua fazendo parte da identidade da Oktoberfest e da própria história de Blumenau. E é justamente por meio dessas histórias que novas gerações podem conhecer e valorizar quem ajudou a construir a tradição que a cidade celebra todos os anos.

A série de entrevistas do Site de Blumenau segue resgatando essas memórias e dando voz às mulheres que, em diferentes épocas, tiveram a missão e a alegria de representar a maior festa alemã das Américas.

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