A riqueza da diversidade

A riqueza da diversidade

Blumenau é uma cidade cosmopolita. Não se compara a nenhuma grande capital, com sua histórica diversidade, mas para uma cidade de interior está bem representada. Quem vem de fora esperando encontrar uma aldeia de bávaros ou saxões se decepciona muito rápido. Em qualquer direção que seguir, em qualquer estabelecimento que entrar vai se deparar com gente de diferentes origens e sotaques os mais diversos.

Tem quem não goste, diz que a cidade está perdendo sua essência e seus traços germânicos, mas isto é um processo do qual cidade nenhuma que tenha uma forte atividade econômica consegue escapar. Traços autênticos da cultura só consegue preservar quem está isolado nas florestas ou montanhas. Existem muitos lugares parados no tempo, mas este não é o caso do Vale do Itajaí. Até Pomerode, “a cidade mais alemã do Brasil”, recebe influência de todas as partes. Conviver com a chegada de migrantes é o ônus do crescimento econômico.

Supermercados e postos de combustíveis são lugares que acolhem muitos imigrantes recentes aqui na região e onde podemos ter um contato mais direto com eles. Homens e mulheres das regiões Norte e  Nordeste formam um grande contingente dos que tomaram o caminho de Blumenau e redondeza. Mas, dos forasteiros, paranaenses, gaúchos e paulistas ainda formam a maioria, segundo o IBGE. Quanto aos estrangeiros, venezuelanos, haitianos, argentinos e agora cubanos lideram a mudança para Blumenau.

Esse processo não tem volta, a não ser que apareçam cidades ou estados mais atraentes, com mais oportunidades de trabalho. E qual é a vantagem de receber gente de outros estados e outros países? A resposta mais simples é que a economia cresce, porque os postos de trabalho são ocupados por eles, são lugares que os nativos não querem ocupar. E ainda assim nem sempre é fácil encontrar mão de obra. São Paulo é o maior exemplo brasileiro de pujança econômica erguida com ajuda de imigrantes.  Hoje, segundo dados do IBGE, 20% dos habitantes do estado nasceram em outras regiões do país. E temos de considerar que o surto migratório para São Paulo começou por volta de 1890 e durou todo o século 20, tanto de nacionais quanto de estrangeiros. A população geral é, na sua maioria, descendente de imigrantes.

Então, criticar ou não gostar de quem é de fora é a maior perda de tempo. Hoje vemos a política de imigração de Donald Trump jogar por terra aquela ideia de que a América era a terra da promissão, que lá tinha lugar e trabalho para todos. Afinal, foram os imigrantes que levantaram a América e a tornaram tão rica. Até Trump é neto e filho de imigrantes e se ele hoje volta-se contra quem é de fora é mais pela ideologia da supremacia branca e a procura de um bode expiatório para os problemas internos do país. Claro que é preciso existir controle, mas o que se discute em relação à política de Trump é a forma como imigrantes latinos, africanos e asiáticos são tratados: como lixo. O que ocorre nos Estados Unidos ocorre também em alguns países europeus, só que na Europa os governos são mais cautelosos.

Outra forma como uma cidade, estado ou país se beneficiam do movimento migratório é na riqueza cultural. Os Estados Unidos seriam tão ricos e atraentes como são se dependessem apenas dos seus povos nativos ou dos ianques? São Paulo seria o que é sem a influência italiana, japonesa ou nordestina? Certamente não. A riqueza cultural envolve música, dança, teatro, edificações, monumentos, festas populares, artesanato, culinária e uma infinidade de manifestações que identificam um povo. E quanto a isto, o Brasil está muito bem servido. Nossa diversidade forma um caldeirão cultural e isto é o que mais chama a atenção de quem vem do exterior mal-informado, esperando encontrar aqui um país atrasado e sem muita expressão.

Uma mostra desse convívio íntimo que temos com a diversidade foi dada no programa É de Casa, da Globo, no sábado dia 2 de maio. A produção reuniu sete grafiteiros que tiveram como tarefa criar um mural expressando a arte de sete regiões do Brasil – Rio Grande do sul, Amazonas, São Paulo, Distrito Federal, Piauí e Minas Gerais. O resultado foi um painel magnífico, um verdadeiro mosaico da nossa diversidade e riqueza. A conclusão é que para sermos ricos culturalmente devemos sempre agregar, e nunca segregar.

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