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Tem cheiros que a gente nunca esquece. E o de pão assando é, sem dúvida, um deles.
É aquele perfume que invade a cozinha, percorre a casa e parece trazer junto uma coleção de lembranças. O pão quentinho saindo do forno, a manteiga derretendo sobre uma fatia recém-cortada e a vontade de sentar à mesa para um café, mesmo que não seja hora.
Na nossa última conversa aqui no Site de Blumenau, falamos sobre a tradicional cuca, uma receita que faz parte da memória afetiva de tantas famílias da nossa região.
E hoje quero continuar essa viagem pelos sabores que contam histórias, trazendo uma preparação simples, mas cheia de significado: o pão caseiro.
Muito mais do que farinha, água e fermento
Fazer pão é uma das tradições mais antigas da gastronomia. E, durante muito tempo, preparar o próprio pão fazia parte da rotina de inúmeras famílias.
Aqui no Sul, especialmente nas famílias que preservam costumes trazidos pelos imigrantes europeus, o pão caseiro sempre teve um lugar especial à mesa.
Quem não se lembra daquela massa crescendo em uma bacia grande, coberta por um pano de prato, enquanto alguém dizia: “Não mexe, deixa o pão crescer!”?
Ou da ansiedade de esperar o pão sair do forno para provar a primeira fatia ainda quente?
São lembranças simples, mas que carregam muito afeto.
Como chef confeiteira e professora de gastronomia, gosto de dizer que fazer pão é também um exercício de paciência.
Afinal, não basta misturar os ingredientes. É preciso respeitar o tempo da massa, entender a fermentação e perceber, através do toque, quando ela está no ponto certo.
E talvez esteja justamente aí uma das coisas mais bonitas da panificação: o pão nos ensina que algumas das melhores coisas da vida precisam de tempo para acontecer.
Pão caseiro tradicional: simples, fofinho e cheio de sabor
A receita de hoje é daquelas que não precisam de ingredientes sofisticados. É um pão macio, com casquinha levemente dourada, perfeito para acompanhar manteiga, geleia caseira ou um bom café passado na hora.
Rendimento: 2 pães pequenos
Tempo de preparo: aproximadamente 3 horas, incluindo fermentação e forno
Ingredientes
Primeira etapa:
- 75g de farinha de trigo
- 150ml de água
- 50ml de leite
Segunda etapa:
- 500g de farinha de trigo, aproximadamente
- 28g de açúcar refinado
- 10g de sal
- 10 g de fermento biológico seco instantâneo
- 25ml de óleo de soja
- 260ml de água
Modo de preparo
1. Prepare a massa
1ª etapa – Preparo inicial da massa
Leve a água ao fogo até levantar fervura. Em seguida, despeje-a sobre a farinha de trigo, escaldando-a.
Transfira a mistura para a batedeira e bata até obter uma massa homogênea. Acrescente o leite e continue batendo até incorporar completamente.
2ª etapa – Preparo e fermentação
Adicione os demais ingredientes e bata até obter uma massa uniforme. Se necessário, finalize misturando com as mãos para garantir que todos os ingredientes estejam bem incorporados.
Atenção: essa massa apresenta uma consistência bastante mole e pegajosa, o que é uma característica normal da receita. Não é necessário acrescentar mais farinha para deixá-la firme.
Cubra a massa e deixe descansar em local protegido de correntes de ar até triplicar de volume.
3ª etapa – Modelagem e segunda fermentação
Com as mãos levemente untadas com óleo, divida a massa em porções de aproximadamente 520 g.
Acomode cada porção em uma forma previamente untada com margarina.
Deixe descansar novamente até que a massa cresça e fique bem aerada.
4ª etapa – Assamento
Leve ao forno preaquecido a 180 °C por aproximadamente 35 minutos, ou até que os pães estejam dourados e completamente assados.
Retire do forno, deixe amornar e desenforme.
Dica da Chef
O segredo dessa receita está na consistência da massa e no respeito ao tempo de fermentação.
Diferentemente de outros pães caseiros, essa massa é mais mole e não precisa atingir aquele ponto firme e elástico que estamos acostumados a ver em receitas tradicionais.
Evite acrescentar farinha além da quantidade indicada, pois isso pode comprometer a maciez do pão.
E lembre-se: o tempo de fermentação pode variar conforme a temperatura ambiente. Mais importante do que seguir o relógio é observar o crescimento da massa!
O sabor das coisas simples
Vivemos em uma época em que tudo acontece muito rápido. Muitas vezes, falta tempo até para sentar à mesa e apreciar uma refeição com tranquilidade.
Mas preparar um pão caseiro nos convida a desacelerar.
É misturar, sovar, esperar, sentir o aroma que toma conta da cozinha e, finalmente, compartilhar.
Porque, no fundo, o pão representa muito mais do que alimento. Ele simboliza acolhimento, partilha e a alegria das coisas simples.
E é isso que quero continuar resgatando aqui na nossa coluna: receitas que alimentam, mas que também contam histórias.
Agora quero saber de vocês:
Na sua família, quem fazia aquele pão caseiro inesquecível?
Era a avó, a mãe, uma tia ou alguém que tinha o dom de transformar farinha e fermento em uma verdadeira demonstração de carinho?
Quem sabe essa não seja a oportunidade de resgatar aquela receita antiga e reunir a família ao redor da mesa?
Porque tem coisa que nunca sai de moda. E pão caseiro, com manteiga derretendo e café fresquinho, é uma delas.
Até a próxima receita!
Sulaine Meyer
Chef confeiteira e professora de gastronomia





