Em 2013, Kathleen Suzan Zwicker recebeu a coroa de Miss Blumenau e passou a representar uma cidade conhecida por sua forte identidade cultural e por suas tradições de origem germânica. Aos 23 anos, ela também enfrentava um desafio pessoal: superar a timidez e aprender a se comunicar diante do público.
Mais de uma década depois, Kathleen olha para aquela experiência com carinho e reconhece o impacto que o período teve em sua formação. Hoje vivendo na Alemanha, ela também passou a enxergar Blumenau por uma perspectiva diferente, especialmente quando o assunto são as tradições, a cultura e as diferenças entre a cidade do Vale do Itajaí e o país que ajudou a formar parte de sua identidade.
Nesta entrevista ao Site de Blumenau, Kathleen fala sobre a experiência como Miss Blumenau, a superação da timidez, a vida na Alemanha, as raízes germânicas da cidade e a saudade de casa. Entre memórias e reflexões, ela revela por que, mesmo vivendo longe, continua carregando Blumenau no coração.
Kathleen, você foi eleita Miss Blumenau em 2013. Olhando hoje para aquela época, o que essa experiência representou na sua vida?
Ser eleita Miss Blumenau em 2013 foi uma experiência muito marcante na minha vida. Naquela época, eu vivi tudo com muita intensidade e talvez não tivesse dimensão de quanto aquela oportunidade iria contribuir para a mulher que eu me tornaria.
O título me trouxe visibilidade, mas, acima de tudo, me trouxe aprendizados. Aprendi sobre responsabilidade, disciplina, comunicação, sobre lidar com expectativas e, principalmente, sobre acreditar mais em mim mesma. Também tive a oportunidade de conhecer pessoas, viver experiências que jamais teria vivido e representar uma cidade que sempre teve um significado muito especial para mim.
Hoje, olhando para aquela época, vejo que o Miss Blumenau foi muito mais do que um concurso de beleza. Foi um capítulo importante da minha história, que me ajudou a amadurecer, a descobrir novas possibilidades e a construir a minha trajetória. Tenho muito carinho e gratidão por tudo o que vivi e por quem eu era naquela época, porque aquela menina também faz parte da mulher que sou hoje.
Na época do concurso, você comentou sobre a dificuldade de falar em público e que participar do Miss Blumenau também foi uma forma de enfrentar essa timidez. O que mudou em você depois daquela experiência?
Eu sempre fui muito timida, chegava a me esconder da visita. Depois desse concurso mudou muita coisa em minha vida. Eu acho que o mais importante foi perceber que eu não precisava deixar de ser tímida para conseguir me comunicar ou ocupar determinados espaços. O Miss Blumenau me colocou justamente diante de situações que, na época, me tiravam completamente da zona de conforto: falar em público, dar entrevistas, estar diante de muitas pessoas e lidar com a expectativa de representar uma cidade.
Foi um processo de enfrentamento diário e, a cada vez que eu conseguia superar um pouco daquele medo, minha confiança aumentava. Depois daquela experiência, passei a me conhecer melhor e a confiar muito mais na minha capacidade. Mas tudo isso só foi possível porque eu tinha (e continuo tendo) Deus comigo.
Hoje ainda posso sentir aquele frio na barriga antes de falar em público, mas aprendi a não deixar que ele me paralise. E talvez essa seja a maior mudança: entender que coragem não é não sentir medo, mas seguir em frente mesmo quando ele aparece.
Existe alguma diferença entre a imagem que nós, em Blumenau, temos da Alemanha e aquilo que você encontrou estando ai?
Sim, com certeza. Acho que, por Blumenau ter uma influência alemã tão presente, nós acabamos criando uma imagem da Alemanha muito baseada nas nossas próprias tradições — nas festas, na gastronomia, na arquitetura e em alguns costumes que foram preservados ao longo das gerações.
Morando aqui, percebi que existe uma Alemanha muito além disso. É um país bastante diverso, moderno e multicultural, e muitas coisas que imaginamos como “tipicamente alemãs” não representam necessariamente o cotidiano de todo mundo.
Ao mesmo tempo, foi muito interessante reconhecer algumas semelhanças e perceber de onde vieram certas tradições que fazem parte da nossa identidade em Blumenau. Acho que viver aqui me fez entender que a cultura não é algo estático: ela atravessa fronteiras, se transforma e ganha novos significados. E isso me fez olhar para Blumenau e para a nossa história com ainda mais carinho.
Você acredita que Blumenau ainda preserva de maneira significativa suas raízes germânicas?
Sim, acredito que Blumenau ainda preserva de maneira bastante significativa suas raízes germânicas, principalmente na arquitetura, na gastronomia, nas festas, na música e em algumas tradições familiares. A Oktoberfest e os Clubes de Caça e Tiro são um dos maiores exemplos dessa preservação.
Ao mesmo tempo, vejo essa identidade como algo que foi se transformando ao longo das gerações. Muitas tradições que existem em Blumenau não representam exatamente a Alemanha atual, mas uma herança germânica que foi preservada e adaptada à realidade brasileira. Por isso, acho interessante pensar em Blumenau não como uma “cópia da Alemanha”, mas como uma cultura própria, resultado do encontro entre a tradição alemã e a identidade brasileira.
O que você acha que Blumenau perdeu em relação às suas antigas tradições? E o que ainda permanece forte?
Acho que Blumenau perdeu algumas tradições no dia a dia, principalmente o uso mais frequente da língua alemã, alguns costumes familiares e certas práticas que eram passadas de geração em geração.
Com o passar do tempo e a influência da cultura brasileira, muita coisa acabou se adaptando ou deixando de ser tão presente. Por outro lado, acredito que ainda permanecem muito fortes a gastronomia, a arquitetura, as festas tradicionais, a música, os grupos folclóricos e, principalmente, o orgulho que muitas pessoas têm da sua descendência e da história da cidade. A Oktoberfest e os Clubes de Caça e Tiro também possuiem um papel importante nisso, porque ajuda a manter várias dessas tradições vivas, mesmo que de uma forma mais moderna e adaptada.
Para você, qual é a tradição de Blumenau que não poderia desaparecer nunca?
Para mim, o que não poderia desaparecer nunca é o hábito de manter vivas as tradições dentro das famílias. É através delas que histórias, receitas, músicas, costumes e até palavras em alemão vão sendo passados de uma geração para outra. Acho que, mais do que uma festa ou um evento específico, é essa memória cultural que faz Blumenau ter uma identidade tão especial. Se isso se perder, uma parte importante da história da cidade também se perde.
Existe algo da Blumenau daquela época que você sente falta?
Em geral, sinto falta praticamente de quase tudo. Às vezes, a saudade da minha cidade não é apenas saudade de um lugar em si. É saudade de quem eu era quando estava lá. Das experiencias e sentimentos que senti, dos rostos que fizeram parte da minha história, dos pequenos detalhes que, na época, pareciam tão comuns e hoje têm um valor imenso.
É interessante saber que podemos seguir em frente, conhecer novos lugares e construir uma nova vida, mas ainda assim carregar dentro do peito um lugar que nunca deixaremos completamente para trás.
Sinto falta da minha cidade. Existem lugares que não são apenas lugares — são pedaços da nossa história, da nossa infância, das nossas raízes. São lembranças para a eternidade.
E, por mais longe que eu esteja e eu ame morar aqui, uma parte de mim sempre vai pertencer à cidade. Meu coração sempre vai pertencer à Blumenau.
Depois de ser 1 Princesa do Clube de Caça e Tiro e ser Miss Blumenau, o que significa para você ser blumenauense?
Ser blumenauense, para mim, é muito mais do que ter nascido ou vivido ai, significa carregar comigo uma história, uma cultura e um sentimento de pertencimento muito fortes. Ter sido princesa do Clube Caça e Tiro e depois Miss Blumenau tornou esse sentimento ainda mais especial, porque tive a oportunidade de representar a cidade e conhecer ainda mais de perto as pessoas, as tradições e os valores que fazem parte da nossa identidade.
Hoje, ser blumenauense é ter orgulho das nossas raízes, mas também entender que a cidade está sempre mudando e construindo novas histórias. É poder levar o nome de Blumenau comigo com carinho e responsabilidade, valorizando aquilo que recebemos das gerações passadas e contribuindo para que essa identidade continue viva no futuro.
Se pudesse voltar para a Kathleen de 23 anos, que estava prestes a ser coroada Miss Blumenau, o que você diria para ela?
Eu diria: “Kathleen, respira e aproveita. Você não precisa ter todas as respostas e nem ser perfeita. Viva esse momento com o coração aberto, porque ele vai deixar marcas muito bonitas na sua vida. Conheça pessoas, crie memórias, escute as histórias que cruzarem o seu caminho e, acima de tudo, não perca a sua essência, pé no chão e olhos direcionados pra Deus.
A coroa vai passar, o título vai passar, mas as experiências e a pessoa que você vai se tornar ficam. E pode ter certeza: lá na frente, você vai olhar para trás com muito carinho e perceber o quanto essa menina de 23 anos foi corajosa e o quanto aquele momento transformou a sua vida.”
Quando alguém fala “Blumenau” para você, qual é a primeira imagem ou lembrança que vem à sua cabeça?
Quando alguém fala “Blumenau”, a primeira coisa que acontece é que meu coração se enche de orgulho, amor e alegria, e principalmente, a sensação de estar em casa. Lembro da minha família, dos meus amigos, das festas, das tradições e de tantos momentos que vivi aqui.
Blumenau, para mim, tem cheiro de família, som de música alemã e uma mistura muito bonita de memória e pertencimento. É uma cidade que faz parte da minha história e da pessoa que eu me tornei. Por isso, quando penso em Blumenau, penso primeiro em meu lar, minha pátria“!
Kathleen, depois de ter representado Blumenau em concursos, eventos e até morar ai na Alemanha, qual é a Blumenau que você gostaria que o Brasil conhecesse?
Eu gostaria que o Brasil e o mundo conhecessem a Blumenau que eu tive a oportunidade de conhecer e representar: uma cidade que tem muito orgulho das suas raízes, mas que não vive apenas do passado. Uma cidade que preserva suas tradições, que tem uma cultura muito rica, mas que também é feita de pessoas, de trabalho, de histórias e de sonhos.
Depois de morar aqui na Alemanha, consegui perceber ainda mais o quanto a nossa identidade é única. Temos uma herança germânica muito forte, mas ela ganhou características próprias ai no Brasil. E acho que é justamente essa mistura que torna Blumenau tão especial.
Se eu pudesse apresentar Blumenau para o Brasil/Mundo, gostaria de mostrar uma cidade acolhedora, bonita, trabalhadora e orgulhosa da sua história, mas que está sempre se reinventando. Uma Blumenau que honra suas raízes e continua olhando para frente. Eu carrego Blumenau em meu coração!
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Mais do que uma lembrança de uma época marcante, a história de Kathleen mostra como Blumenau pode continuar presente mesmo quando a vida leva seus moradores para longe. Entre as memórias da cidade, as raízes germânicas e as experiências construídas na Alemanha, permanece o sentimento de pertencimento a um lugar que ajudou a formar quem ela é.
Hoje, vivendo do outro lado do Atlântico, Kathleen carrega consigo as lembranças da família, dos amigos, das tradições e dos momentos que fizeram parte de sua trajetória. E, como ela própria resume, seu coração continua pertencendo a Blumenau.





