Katia viveu um dos períodos mais intensos de sua vida ao representar Blumenau e a Oktoberfest pelo Brasil. Mais de 15 anos depois, ela relembra os bastidores, as viagens, as situações inusitadas e o significado de carregar uma das coroas mais tradicionais da cidade.
Ser Rainha da Oktoberfest de Blumenau significa muito mais do que usar uma coroa durante um ano. Para Katia, eleita Rainha da Oktoberfest em 2010, o título representou a realização de uma história que havia começado muitos anos antes — ainda na infância, quando a festa já fazia parte da rotina de sua família.
Frequentadora dos Clubes de Caça e Tiro desde criança, Katia chegou à disputa da Realeza depois de já ter sido eleita 2ª Princesa dos Clubes de Caça e Tiro, em 2008, e de ter representado a entidade no Miss Blumenau, em 2009. Sem desistir depois do resultado, recebeu um novo incentivo e acabou entrando no concurso que mudaria sua vida.
A vitória, porém, foi apenas o começo. Durante o reinado, Katia e as princesas viajaram por diferentes estados brasileiros para divulgar Blumenau e a Oktoberfest, participaram de feiras, congressos e eventos e chegaram a representar a festa diante de importantes nomes do turismo nacional. Em São Paulo, ela teve a oportunidade de escrever e apresentar um discurso durante uma feira da CVC Viagens, diante do então Ministro do Turismo e de representantes do setor.
Nos bastidores, entretanto, também houve espaço para situações que dificilmente aparecem nas fotografias oficiais. Teve evento que mudou completamente de tema sem que a Realeza fosse avisada, “operações de fuga” para escapar dos apresentadores do Pânico na TV e até um encontro com o ator Rodrigo Santoro que acabou repercutindo em blogs e na revista Caras. E havia ainda uma regra curiosa: apesar de estarem no coração da Oktoberfest, Rainha e Princesas não podiam beber chope.
Mais do que as histórias engraçadas, porém, ficaram as amizades e o sentimento de pertencimento. Katia define o trio da Realeza de 2010 como um verdadeiro presente da vida e conta que o vínculo com as duas princesas permaneceu mesmo depois do fim do reinado.
Hoje, a relação com a Oktoberfest ganhou ainda outro significado. Depois de viver a festa como criança, jovem e Rainha, Katia agora tem a oportunidade de apresentá-la ao próprio filho. Aos poucos, a antiga Rainha passou a enxergar não apenas a celebração, mas também todo o trabalho de profissionais, grupos e voluntários que ajudam a manter viva uma das maiores tradições de Blumenau.
Em entrevista ao Site de Blumenau, Katia conta como foi descobrir que havia sido eleita Rainha da Oktoberfest 2010, revela histórias dos bastidores do reinado, relembra viagens e encontros marcantes e fala sobre aquilo que, para ela, realmente torna a Oktoberfest de Blumenau diferente: uma tradição que não acontece apenas em outubro, mas que faz parte da identidade da cidade e atravessa gerações.
Entrevista com Katia Rossi Maes
Como surgiu a ideia de participar do concurso da Realeza da Oktoberfest em 2010?
Eu sempre participei dos Clubes de Caça e Tiro desde criança e frequentava assiduamente o Clube Blumenauense de Caça e Tiro. Em 2008, fui eleita 2ª Princesa dos Clubes de Caça e Tiro e, no ano seguinte, em 2009, fui convidada pela Associação dos Clubes de Caça e Tiro a representá-los no Miss Blumenau. Na ocasião, não fui eleita.
Mas, como bons brasileiros, não desistimos! Naquele mesmo ano, fui incentivada e inscrita no concurso para Rainha da Oktoberfest. Na época, havia uma regra de que as candidatas só poderiam se inscrever se representassem alguma associação ou entidade sem fins lucrativos da cidade. Como eu já tinha esse vínculo com os Clubes de Caça e Tiro, surgiu a oportunidade de participar do concurso.
Foi assim que, quase sem imaginar o que estava por vir, dei mais um passo nessa história que acabou se tornando tão especial e marcante na minha vida.
O que você sentiu naquele momento em que descobriu que seria a Rainha da Oktoberfest de 2010?
Foi um momento de muita emoção e, ao mesmo tempo, de uma surpresa que jamais vou esquecer. Quando anunciaram o meu nome, eu sequer percebi de imediato, pois estava ao lado de outra candidata, tentando acalmá-la naquele momento tão tenso para todas nós. Foram alguns segundos até a ficha cair e eu entender que era o meu nome que havia sido chamado. Quando finalmente percebi que havia sido eleita Rainha da Oktoberfest de 2010, foi uma mistura indescritível de alegria, surpresa e emoção. Entrei no palco ainda tentando assimilar tudo o que estava acontecendo. Foi daqueles momentos em que o coração dispara, o frio na barriga toma conta e a gente percebe que está vivendo algo que ficará para sempre na memória.
Quais eram as principais responsabilidades de uma Rainha da Oktoberfest naquela época?
Foi um ano bastante desafiador, intenso e, ao mesmo tempo, muito especial. Nós tínhamos a responsabilidade de representar Blumenau e a Oktoberfest em feiras, eventos públicos e privados, congressos, festas e encontros por todo o território nacional.
Mais do que simplesmente representar e divulgar a festa, nós vivíamos a Oktoberfest de verdade. Colocávamos literalmente a mão na massa: ajudávamos a montar e desmontar estandes, participávamos da organização dos eventos e fazíamos tudo o que fosse necessário para levar o nome de Blumenau e da nossa festa para diferentes lugares do Brasil.
Foi uma experiência que nos ensinou muito sobre dedicação, responsabilidade e, principalmente, sobre companheirismo. Éramos um grande time, e cada uma de nós tinha um papel importante para fazer tudo acontecer. Olhando para trás, percebo que não era apenas um ano de compromissos e viagens, mas uma oportunidade única de viver e representar uma parte tão importante da cultura e da identidade de Blumenau.
Você viajou ou participou de eventos fora de Blumenau representando a Oktoberfest? Quais momentos ficaram mais marcados?
Sim. Eu e as princesas tivemos a oportunidade de realizar algumas viagens pelo Brasil representando Blumenau e a Oktoberfest. Passamos por estados como Amazonas, Goiás e São Paulo, além de diversas cidades da região Sul do Brasil. Cada viagem trouxe experiências e encontros muito especiais, mas há um momento que guardo com muito carinho na memória.
Foi durante uma feira promovida pela CVC Viagens, em São Paulo, que tivemos a oportunidade de fazer uma apresentação especial para antecipar a abertura da Oktoberfest. O evento reunia o Ministro do Turismo e importantes empresários e representantes do setor turístico brasileiro.
Para mim, aquele momento teve um significado ainda maior, porque tive a oportunidade de escrever o discurso e também ser a oradora. Subir naquele palco e falar em nome de Blumenau e da Oktoberfest, diante de tantas pessoas importantes para o turismo do país, foi emocionante e me fez perceber a dimensão da responsabilidade e do privilégio que era representar a nossa festa.
E qual foi a situação mais engraçada ou inusitada que você viveu como Rainha?
Houve alguns momentos que jamais vou esquecer, e acho que são justamente essas situações inusitadas que tornam uma experiência como essa ainda mais especial. Vou compartilhar algumas com vocês:
– Em uma viagem para Florianópolis, fomos participar de um evento de uma empresa e, quando chegamos lá, descobrimos que eles haviam esquecido de nos avisar que a temática do evento tinha mudado completamente. Nós chegamos preparadas para divulgar a Oktoberfest e, de repente, percebemos que o evento não tinha absolutamente nada a ver com a festa. Foi uma situação bastante inusitada e que, na época, rendeu boas risadas!
– Durante a Oktoberfest, também tivemos alguns momentos de “fuga”. Precisávamos literalmente escapar pelas rotas de saída para não sermos abordadas pelos apresentadores do Pânico na TV. Eles estavam sempre à procura de alguma situação inusitada, e nós tínhamos que ficar atentas para não sermos pegas de surpresa. Hoje é engraçado lembrar, mas, na época, era uma verdadeira operação de fuga!
– Outro momento inesquecível foi quando recebemos o ator Rodrigo Santoro na festa. Ele me perguntou do que se tratava a Oktoberfest e, enquanto conversávamos, fomos fotografados. A foto acabou circulando em blogs e chegou até à revista Caras, com matérias insinuando que havia “rolado um clima” entre nós. Foi uma situação completamente inesperada e, claro, muito divertida de lembrar hoje.
– E talvez a situação mais curiosa de todas: nós não podíamos beber chope! Éramos as Rainhas e Princesas da Oktoberfest, estávamos ali para representar a festa, mas tínhamos que manter a postura e cumprir nossas responsabilidades. Então, enquanto todo mundo curtia o chope, nós precisávamos nos controlar. Confesso que essa parte nem sempre era fácil!
Como era a relação entre você e as Princesas da Realeza de 2010? Vocês continuam amigas até hoje?
Sabe aqueles presentes que a vida nos dá sem que a gente peça? Para mim, esse foi o nosso trio. Nós três éramos muito diferentes, mas justamente por isso uma complementava a outra. Construímos uma relação que foi muito além da amizade: nos tornamos uma verdadeira família.
Vivemos juntas um ano muito intenso, cheio de compromissos, viagens, desafios, alegrias e, claro, muitas histórias que só nós três conseguimos entender. Estávamos sempre uma ao lado da outra e criamos um vínculo muito forte, que não terminou quando o reinado chegou ao fim.
Depois que terminou nosso reinado, continuamos nos encontrando regularmente e fazendo questão de manter essa amizade. Com o passar dos anos, porém, a vida foi levando cada uma para um caminho diferente. As duas princesas foram morar fora do país, e a distância acabou tornando nossos encontros cada vez mais raros.
Hoje, são as redes sociais que nos mantêm conectadas e permitem acompanhar um pouco da vida umas das outras. Mas, apesar da distância e dos anos que passaram, o carinho continua o mesmo. Afinal, algumas pessoas entram na nossa vida por um período, mas deixam uma marca que permanece para sempre e elas, sem dúvida, são duas dessas pessoas na minha história.
Na sua opinião, o que faz a Oktoberfest de Blumenau ser tão especial e diferente de outras festas germânicas?
Ah, a Oktoberfest de Blumenau tem algo que vai muito além da festa em si. Blumenau tem uma cultura, uma identidade e, principalmente, um espírito coletivo muito forte, que se acende e ganha ainda mais força durante a Oktoberfest.
Para mim, o grande diferencial é que a Oktoberfest é feita de gente. É feita por pessoas que acreditam, participam e vivenciam essa tradição de verdade e não apenas durante o mês de outubro. Nós respiramos a Oktoberfest o ano inteiro. São famílias, empresários, trabalhadores, grupos culturais e toda uma comunidade que se envolve e faz a festa acontecer. E esse movimento não termina quando as portas do Parque Vila Germânica se fecham. Ele reverbera durante todo o ano, movimentando a economia, o turismo, a cultura e a vida da cidade. A Oktoberfest de Blumenau é especial porque ela não é apenas um evento que acontece na cidade. Ela faz parte da identidade da cidade. E talvez seja justamente isso que a torna tão única: quem participa não está apenas indo a uma festa, está vivendo uma tradição que pertence a todos nós.
Depois de ter vivido a Oktoberfest de uma maneira tão intensa, sua relação com a festa mudou?
Na verdade, a Oktoberfest faz parte da minha vida desde muito pequena. Meus pais sempre trabalharam na festa, vendendo tickets de água, refrigerante e chope como uma forma de complementar a renda. Eu e minha irmã acabávamos indo junto, pois não tínhamos com quem ficar, e foi assim que a festa passou a fazer parte da minha história. Desde então, frequento a Oktoberfest todos os anos.
Ao longo desses 40 anos de vida, vivi a festa de maneiras muito diferentes, de acordo com cada fase e cada momento da minha vida. Primeiro, como criança, depois como jovem, como Rainha e, hoje, de uma maneira ainda mais especial: apresentando a Oktoberfest ao meu filho, que tem apenas 2 anos.
Depois do meu reinado, quando entro na festa, presto muito mais atenção aos detalhes. Valorizo ainda mais cada pessoa que trabalha durante esse período, cada profissional, cada grupo e cada voluntário que ajuda a fazer a festa acontecer. Hoje consigo enxergar todo o trabalho, a dedicação e o amor que existem por trás de tudo aquilo que o público vê.
Talvez essa seja a maior mudança na minha relação com a Oktoberfest: antes eu vivia a festa; hoje, além de vivê-la, eu sinto a responsabilidade de ajudar a preservar e perpetuar essa cultura para as próximas gerações.
Hoje, olhando para trás, o que significa para você ter sido Rainha da Oktoberfest de Blumenau?
Hoje, olhando para trás, ser Rainha da Oktoberfest de Blumenau significa muito mais do que ter usado uma coroa ou representado uma festa durante um ano. Significa ter vivido uma experiência que transformou a minha vida e que, de alguma maneira, continua presente em quem eu sou.
Ser Rainha me ensinou sobre responsabilidade, dedicação, representatividade e, principalmente, sobre pertencimento. Eu entendi que não estava apenas representando uma festa, mas uma cidade, uma cultura e uma história que pertence a muitas gerações.
Hoje, tantos anos depois, sinto muito orgulho quando olho para essa trajetória. E talvez o mais bonito seja perceber que essa história não terminou quando o meu reinado acabou. Ela continua cada vez que volto à Oktoberfest, cada vez que encontro alguém que lembra daquele ano e, principalmente, agora que tenho a oportunidade de apresentar essa festa ao meu filho.
Se naquela época eu carregava uma coroa na cabeça, hoje carrego comigo algo muito maior: a responsabilidade e o privilégio de preservar uma tradição que faz parte da minha história e ajudar a passá-la para a próxima geração.
Ser Rainha da Oktoberfest de Blumenau foi um capítulo da minha vida que passou, mas uma parte da minha identidade que ficou para sempre.
Se pudesse voltar para aquela época e dar um conselho para a Katia que estava prestes a assumir a coroa, o que diria?
Eu diria para ela: aproveite a jornada, porque ela passa muito mais rápido do que você imagina.
Diria também para não se cobrar tanto. Naquela época, eu queria fazer tudo da melhor maneira possível e, muitas vezes, acabava me preocupando demais em corresponder às expectativas e em não cometer erros. Hoje, olhando para trás, percebo que eu poderia ter simplesmente vivido mais cada momento.
E que conselho você daria hoje para uma jovem que sonha em fazer parte da Realeza da Oktoberfest?
Eu diria: aproprie-se da nossa história, viva intensamente a nossa cultura, seja humilde e aproveite todas as oportunidades que surgirem.
Fazer parte da Realeza da Oktoberfest vai muito além de usar uma coroa. É ter a oportunidade de conhecer pessoas, viver experiências únicas, viajar, aprender e representar uma cultura que foi construída por muitas gerações.
Ao se tornar Rainha da Oktoberfest, você não estará carregando apenas uma coroa sobre a cabeça. Estará carregando o sonho de tantas outras meninas que um dia sonharam estar naquele lugar e representando mais de 390 mil pessoas por onde andar. Isso é uma responsabilidade enorme, mas também um privilégio imenso.
Por isso, meu conselho seria: não tenha medo de ser você mesma. Tenha orgulho das suas raízes, conheça a nossa história, valorize quem veio antes de você e faça tudo com verdade e humildade.
E, acima de tudo, viva cada segundo. Porque a coroa dura um ano, mas as histórias, as amizades, os aprendizados e as memórias que você construir durante essa jornada serão para a vida inteira.
Uma coroa que ficou para a vida
Mais de uma década depois de entregar a coroa, as lembranças daquele ano continuam presentes. Para Katia, ser Rainha da Oktoberfest não terminou quando o reinado chegou ao fim. A experiência deixou aprendizados, amizades e, principalmente, uma responsabilidade que permanece: ajudar a manter viva a história e a cultura que fazem parte da identidade de Blumenau.
A menina que acompanhava os pais durante a Oktoberfest, a jovem que decidiu disputar a coroa e a Rainha que percorreu diferentes partes do Brasil para representar a cidade fazem parte da mesma história. Uma história que hoje ganha um novo capítulo ao ser compartilhada com seu filho, mostrando que tradições só permanecem vivas quando são transmitidas de uma geração para outra.
Ao olhar para trás, Katia também deixa um conselho que resume muito do que aprendeu durante aquele período: aproveitar a caminhada, sem transformar a busca pela perfeição em um peso. Para as jovens que sonham em ocupar o lugar que um dia foi dela, a mensagem é ainda mais direta: conhecer a própria história, valorizar as raízes, viver a cultura e permanecer autêntica.
A coroa pode durar apenas um ano. As histórias, as amizades, os aprendizados e as memórias, não.
E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro significado de ser Rainha da Oktoberfest: não apenas representar uma festa durante 12 meses, mas carregar consigo uma parte da história de Blumenau e ajudar a entregá-la às próximas gerações.





