Da aurora farroupilha às urnas de 4 de outubro: a história de um povo que nunca aceitou ser mandado de longe
“Como a aurora precursora / Do farol da divindade, / Foi o vinte de setembro / O precursor da liberdade.”
Sou catarinense, nascido e criado nessa terra maravilhosa da qual tenho imenso orgulho! Nos meus 62 anos já tive a oportunidade de viver o mundo, já vi muitas coisas, boas e bonitas e outras nem tanto. Uma terra que gosto e admiro, pela sua história, cultura e povo, e pelo qual cultivo profundo apreço é o Rio Grande do Sul.
Nenhum outro povo do Brasil abre seu hino com tamanha ousadia. Enquanto outros estados cantam belezas naturais e riquezas de suas terras, o Rio Grande do Sul canta uma revolução. E não por acaso: nas terras gaúchas, a liberdade nunca foi um presente recebido, foi uma conquista tomada à força, no lombo de um cavalo, com o facão na cintura e a convicção de que ninguém, nem mesmo um império inteiro, tinha o direito de decidir o destino de um povo à distância.
Hoje, 20 de setembro, celebra-se o dia em que Porto Alegre caiu nas mãos dos farroupilhas, em 1835. Mas a história que esse glorioso dia carrega é muito maior do que uma batalha. É a história de uma terra que nasceu rebelde, e que, por isso, mudou o Brasil mais de uma vez.
O Rio Grande do Sul não foi colonizado como o resto do país. Foi uma terra forjada na fronteira,
disputada a sangue entre Portugal e Espanha por séculos, numa fronteira seca com a terra acima do Rio da Prata onde não havia muros, nem rios intransponíveis, havia apenas a lei do mais preparado. Quem vivia ali precisava estar armado, montado e pronto para defender sua terra, seu gado e sua família a qualquer momento.
Dessa convivência com o vizinho platino, o gaúcho absorveu algo que o resto do Brasil nunca entendeu: o caudilhismo, a ideia de que o líder verdadeiro é aquele que está presente, que conhece o chão que pisa, que responde pelo seu povo de perto. Não o burocrata distante que governa por decretos de um palácio a milhares de quilômetros.
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro onde nasceram seis movimentos revolucionários. Nenhum outro estado teve tamanha ousadia.
- Revolução Farroupilha (1835–1845): a guerra civil mais longa do Brasil. Dez anos de resistência contra os impostos abusivos sobre o charque e o abandono do Império. Proclamou a República Rio-Grandense e só terminou com o Tratado de Ponche Verde, que anistiou os revoltosos, porque o Império aprendeu que não se vence um povo que luta pela própria dignidade.
- Revolta dos Muckers (1868–1874): na Serra Gaúcha, imigrantes alemães oprimidos pela miséria e pelo abandono ergueram-se contra o poder imperial.
- Revolução Federalista (1893–1895): a disputa entre duas visões de país, a do poder centralizado e a da autonomia, que custou milhares de vidas e definiu o destino político do estado.
- Revolução de 1923: o povo gaúcho pegou em armas contra a perpetuação no poder e conquistou o voto secreto.
- Coluna Prestes (1924–1927): partiu de Santo Ângelo a marcha que atravessou o Brasil inteiro denunciando as oligarquias.
- Revolução de 1930: começou em Porto Alegre e derrubou a República Velha, mudando o rumo da nação.
Um padrão se repete: em cada uma dessas revoltas, o gatilho foi o mesmo, um poder distante que cobrava, decidia e mandava sem ouvir o Sul. E a resposta do gaúcho foi sempre a mesma: resistir.
O que explica essa alma não foi o acaso. Foi a combinação de três forças: a fronteira, que criou um povo permanentemente armado e autossuficiente; a cultura militar, que fez da coragem um valor de identidade; e a economia do charque, que mostrou na prática o que acontece quando o centro explora a periferia, impostos altos, concorrência desleal e abandono.
Mas o hino guarda a lição mais profunda: “Mas não basta para ser livre / Ser forte, aguerrido e bravo, / Povo que não tem virtude / Acaba por ser escravo.” Liberdade não é apenas força bruta. É virtude, lei e justiça; os três pilares que o hino manda seguir. O gaúcho entendeu, antes de quase todos, que a verdadeira revolução não é a que troca um tirano por outro: é a que limita o poder de quem manda.
Hoje, a batalha mudou de campo. Não se toma mais Porto Alegre a cavalo, mas a essência é a mesma: decidir quem manda e de onde manda.
No dia 4 de outubro, o Brasil vai às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados federais. Esses dois últimos, na minha ótica, os votos mais importantes. O Sul tem uma oportunidade histórica de fazer valer sua voz, votando em candidatos que realmente residem no Sul, que conhecem o chão que pisamos, e que estão comprometidos com as causas sulistas:
- Maior autonomia para os municípios e estados, para que as decisões que afetam nossa vida sejam tomadas perto de nós;
- Menos poder concentrado em Brasília, menos poder nas mãos de políticos que só aparecem a cada quatro anos pedindo voto;
- Candidatos liberais e de direita, que defendem menos Estado, menos impostos e mais liberdade para quem produz, trabalha e empreende.
O Sul não precisa pedir licença para existir. Precisa apenas escolher bem quem nos representa… e cobrar depois. A história nos ensinou que o povo que se cala é governado por quem não o respeita. O povo que vota com consciência, que conhece sua história e exige seus direitos, esse povo não se curva.
“Mostremos valor, constância / Nesta ímpia e injusta guerra, / Sirvam nossas façanhas / De modelo a toda a Terra.”
A guerra de hoje é travada nas urnas. E o Sul, o mesmo Sul que desafiou impérios, que lutou dez anos pela liberdade, que mudou o Brasil em 1930, sabe muito bem como se luta.
No dia 4 de outubro, vote como quem faz história. Vote no Sul. Vote pela autonomia. Vote pela liberdade.
Parabéns, Gaúchos de todas as querências! Feliz 20 de Setembro!
Edson José de Souza
Engenheiro e Empreendedor






Respostas de 7
Que texto bonito, parabéns ao autor.
É uma pena que hoje em dia o medo toma conta do nosso povo, pois se fossemos como nossos ancestrais, muita coisa seria diferente.
Parabéns! Um texto inspirador.
Belo texto, Edson. O Rio Grande do Sul vive hoje uma herança brizolista: o ideal de focar na educação misturou-se aos conceitos socialistas do Partido dos Trabalhadores, criando a ideia de que o Estado deve prover tudo. Aquele povo aguerrido e bravo está adormecido, sem virtudes e acovardado diante do domínio. Que possamos ver o espírito de bravura ressurgir!
Bom dia Édson, sensacional, muito bom artigo, atual,é importante para quem vai votar é histórico pra quem não conhece a alma do gaúcho, vou repassar a amigos.
Parabéns! Destaco principalmente a frase: um povo sem virtude é um povo que se torna escravo.
Parabéns, Edson. Repassando para meus amigos e familiares.
Espero que todos nós correspondamos às suas expectativas de honrar nossa história tão bem lembrada por você. Muito obrigado.
Que belo texto, difícil não se emocionar com essa história.
Parabéns Edson, a analogia com os dias atuais foi sensacional.
Façamos nosso papel no dia 4 de outubro, escolhendo nossos representantes e depois disso monitorar e cobrar para que nos representem.