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Se tem cuca e café, tem história para contar!

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Na nossa última conversa aqui no Site de Blumenau, falamos sobre um assunto muito especial: as receitas de família. Aquelas que passam de geração em geração, que carregam histórias e que têm o poder de despertar lembranças através de um simples aroma ou sabor.

E hoje quero dar continuidade a essa conversa trazendo uma receita que representa muito bem a nossa cultura e que, tenho certeza, faz parte da memória afetiva de muitos blumenauenses.

E já que estamos na última semana da Oktoberfest, nada mais apropriado do que celebrar também um dos maiores patrimônios da nossa cultura: a gastronomia!

Afinal, a Oktoberfest é uma festa de tradições, encontros, música, alegria e, claro, de sabores que ajudam a contar a história da nossa cidade.

E entre tantas delícias que fazem parte dessa história, existe uma que merece um lugar especial à mesa.

A nossa querida cuca!

Ah, a cuca…

Quem cresceu em Blumenau ou em outras cidades do Sul certamente conhece aquele cheirinho irresistível de cuca assando, a farofa douradinha e a massa fofinha que combina perfeitamente com um café passado na hora.

É o tipo de receita que nos faz lembrar da casa da avó, dos encontros em família e das tardes em que a cozinha era o lugar mais gostoso da casa.

Uma tradição que atravessa gerações

A cuca tem suas raízes na tradição germânica e encontrou no Sul do Brasil um lugar especial.

Ao longo dos anos, ganhou diferentes versões, sabores e maneiras de preparo. Tem cuca de banana, de uva, de maçã, de queijo, com creme e, claro, aquela cuca só de farofa, que muita gente adora.

E o mais interessante é que cada família tem a sua preferida.

Tem quem goste de bastante recheio, quem prefira uma camada generosa de farofa e quem não abra mão daquela receita antiga, anotada em um caderno que já passou pelas mãos de várias gerações.

Como chef confeiteira e professora de gastronomia, gosto de lembrar que a cozinha é feita de técnica, mas também de tradição.

E quando falamos em cuca tradicional, um dos grandes segredos está justamente na massa preparada com fermento biológico, que precisa de tempo para crescer e desenvolver sua textura macia e seu sabor característico.

É aquela receita que pede um pouquinho de paciência, mas que recompensa cada minuto de espera.

Hoje vamos preparar uma versão tradicional de cuca de banana, com massa fermentada e uma farofa crocante por cima.

Cuca tradicional de banana com farofa

Rendimento: 1 cuca média, aproximadamente 10 porções
Tempo de preparo: cerca de 2h30 a 3h, incluindo fermentação e forno

Ingredientes para a massa

  • 1  Ovo
  • 5g de Fermento biológico seco
  • 140 ml de leite integral morno
  • 25g de margarina ou banha
  • 15ml de óleo de soja
  • 40g de açúcar
  • 200g de farinha de trigo
  • Pitada de sal

Para a cobertura

  • 4 a 5 bananas maduras, porém firmes
  • Canela em pó e açúcar a gosto

Para a farofa

  • 75g de manteiga
  • 125g de farinha de trigo
  • 125g de açúcar
  • Raspas de limão
  • Pitada de Sal

Modo de preparo

1. Prepare a massa

Em um bowl dissolva o fermento em parte do leite morno, acrescente a manteiga e o óleo de soja, o ovo ligeiramente batido, sal e o açúcar e mexa bem.

Adicione aos poucos a farinha de trigo e o restante do leite, mexendo continuamente até dissolver os grumos, a massa fica cremosa, trabalhe a massa por aproximadamente 10 minutos, até ficar homogênea, macia e elástica. Ela deve permanecer levemente pegajosa, sem ficar líquida. Se necessário, ajuste a consistência com pequenas quantidades de leite ou farinha.

2. Deixe a massa crescer

Cubra a tigela com um pano limpo ou plástico e deixe descansar em local protegido de correntes de ar por aproximadamente 30 a 40 minutos, ou até dobrar de volume.

O tempo pode variar conforme a temperatura ambiente, então deixe em um lugar quentinho que vai fermentar mais rápido

3. Monte a cuca

Unte uma forma retangular grande, de aproximadamente 25 x 35 cm.

Transfira a massa para a forma untada e enfarinhada (ou passe desmoldante, se preferir) e espalhe delicadamente com as mãos levemente untadas, distribuindo de maneira uniforme.

Corte as bananas em fatias e acomode sobre a massa. Polvilhe canela e açúcar a gosto.

4. Prepare a farofa

Misture a farinha, o açúcar, a manteiga gelada e as raspas de limão com as pontas dos dedos, até formar uma farofa com pequenos gruminhos.

Distribua generosamente sobre as bananas.

5. Deixe crescer novamente

Cubra a forma sem encostar na cobertura e deixe descansar por mais 20 a 30 minutos, até perceber que a massa está mais aerada.

6. Asse

Leve ao forno preaquecido a 180 °C por aproximadamente 35 a 45 minutos, ou até que a farofa esteja dourada e a massa completamente assada.

Retire do forno e espere amornar antes de cortar.

Dica da chef

O segredo de uma boa cuca tradicional está em respeitar o tempo da fermentação.

O fermento biológico precisa de condições adequadas para agir. Por isso, utilize o leite apenas morno, nunca quente, e tenha paciência durante o crescimento da massa.

Outra dica importante: evite acrescentar farinha em excesso durante o preparo. Uma massa mais macia e levemente pegajosa tende a resultar em uma cuca mais fofinha depois de assada.

E, para aquela farofa crocante que todo mundo adora, utilize a manteiga gelada e misture apenas até formar os gruminhos.

Uma fatia de tradição

Enquanto Blumenau vive os últimos dias de mais uma Oktoberfest, vale lembrar que preservar nossas tradições também acontece nos pequenos gestos do dia a dia.

Está na receita que aprendemos com a mãe, no caderno antigo da avó, na mesa posta para receber a família e naquele café da tarde acompanhado de uma boa cuca.

Porque a nossa cultura não vive apenas nas grandes festas. Ela também está nas nossas cozinhas, nos sabores que reconhecemos e nas histórias que continuamos contando.

E é justamente essa a proposta das nossas conversas por aqui: resgatar receitas, valorizar nossas raízes e mostrar que a gastronomia é uma das maneiras mais bonitas de preservar memórias.

Agora quero saber de vocês:

Qual é a cuca que tem gosto de infância na sua família?

De banana, de uva, de queijo, de farofa ou alguma receita especial que só a sua avó sabia preparar?

Quem sabe essa lembrança não inspira uma das nossas próximas receitas?

Porque receita boa é aquela que a gente compartilha. E tradição boa é aquela que continua viva!

Até a próxima receita!

Sulaine Meyer
Chef confeiteira e professora de gastronomia

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