O humor e o tédio

Todos os dias têm milhares de pessoas fazendo alguma coisa para tornar o mundo um lugar melhor. Mas o oposto também acontece, e em grande escala. Tem muita gente, o tempo todo, tentando explodir o planeta. No meio disso aparecem aqueles que querem fazer do mundo um circo e os que preferem torná-lo um tédio. Dá para falar muito sobre essas tendências, mas aqui é preferível ficar no meio termo.

Fazer piada de tudo, rir de qualquer coisa ou ser sarcástico a maior parte do tempo embrulha o estômago de quem não está no clima. Por outro lado, ser pessimista, estar sempre com aquele ar blasé, criticar qualquer coisa, dá nos nervos também. No caso do humor, há uma oferta infinita de conteúdos, tanta oferta que faz a sua qualidade ir para o espaço. Soma-se a isto a “ditadura” do politicamente correto que inibe o que é considerado ofensivo. Ainda nos anos 1980/1990, circulavam, principalmente na TV, histórias e piadas impublicáveis nos dias de hoje. Mesmo os comerciais tinham uma outra energia. O humor teve de se adaptar, e talvez por isso pessoas com mais de 50 achem as piadas de hoje insossas e os programas de humor um porre. E o pior é que existe uma profusão de pilhérias no ar.

Agora vamos considerar o tédio. O que mais tem por aí é filósofo do caos e gente com reflexões enfadonhas sobre a vida. O que essa gente tem a dizer é que não importa o que você faça, está errado. E tem sempre uma lição para dar. Em todos os lugares encontramos os que trilham esse caminho, seja na imprensa, na igreja, nos tribunais. Aliás, tem juízes bem mal-humorados. Senão vejamos.

A imprensa noticiou que a Rede Globo vai ter de indenizar um garçom  em 36 mil reais por danos morais, depois de ter publicado a foto dele sem autorização, identificando-o como sósia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não ficou claro se o garçom se sentiu ofendido, mas na ação o autor disse que ele teve sua privacidade afetada, passou a ser abordado nas ruas, e teve “sua paz, sua dignidade, integridade e todos os demais direitos de personalidade violados”. Quanta desgraça uma foto pode provocar, meu Deus.

Em sua defesa, a Globo argumentou que a imagem do garçom já circulava amplamente na internet e que o conteúdo foi publicado sem ofensa ou exposição negativa, dentro dos limites da liberdade de imprensa. Mas a desembargadora Hertha de Oliveira, naquela peculiar fineza em que são proferidas as sentenças, justificou que não havia interesse público na publicação, uma vez que a reportagem não possuía “qualquer caráter informativo ou educativo”. Bem, se tirar o que não é informativo ou educativo sobra o quê?

Tempo atrás circulou nas redes sociais um vídeo de um padre que usou a homilia para baixar o sarrafo no uso de bebida alcoólica. Ele questionava: “Qual a vantagem de encher o pandu de cerveja?”; “O que você ganha com isso, tomando cerveja e comendo torresmo?” Fiquei sem saber se o padre estava desempenhando o papel de pastor ou de nutricionista. Se ele viesse a Blumenau poderíamos apresentá-lo aos organizadores da Oktoberfest e do Torresmofest para que ele tirasse as dúvidas que tem.  

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